Adeus, cem dias.
É, não deu.
Muitas coisas que não estavam previstas aconteceram e não tive tempo – e tesão – necessário para continuar escrevendo. Fui, literalmente, interrompida. Mas no ano que vem continuarei até chegar aos 100, desta vez sem o calendário contando os dias. Até lá!
“After all, tomorrow is another day!” - Scarlett O’Hara
Nº 39 – O Agente da Estação (The Station Agent, 2003)
O Agente da Estação é muito simples e completamente adorável. Não há muito em termos de trama, mas ele funciona por ter três personagens muito originais e cativantes.
Peter Dinklage (premiado pelo seu papel na série Game of Thrones) é Fin, um anão que pensou que sua mudança para uma pequena estação de trem poderia dar-lhe a paz e o sossego que tanto almeja. No entanto, ele conhece o vendedor de cachorro-quente Joe (Bobby Cannavale) e a misteriosa Olivia (Patricia Clarkson), que pouco a pouco trazem para sua vida todas as complicações e encanto no que diz respeito às relações humanas.
A maior qualidade do filme é que ele não insiste em apontar o óbvio, em vez disso, evidencia o que se passa no interior dos três personagens principais. É como uma jornada para a auto-aceitação. Você sabe o que eles pensam e sentem sem que tenham de dizer coisas profundas. A magia está no normal, nos detalhes do cotidiano, nos gestos sutis, sem o uso de elementos excessivamente dramáticos. O diálogo é tão doce e verdadeiro que te faz imaginar o que o destino tem reservado para estes personagens excêntricos.
O Agente da Estação foi premiadíssimo, ganhou o BAFTA e o Independent Spirit Award de melhor roteiro original, além de ser eleito o melhor filme do gênero drama pela audiência e juri no Sundance de 2003. Um ótimo feel-good movie, recomendado.
Nº 38 – May (Idem, 2002)
Eu fico tão feliz quando descubro um filme de horror um pouco mais sério. Alguns colocam muito sangue e usam técnicas ’old-school’ de gore repetidamente para tornar o filme desconfortável de assistir; mas existem aqueles que conseguem o equilíbrio entre o assustador e o sangrento, arriscando novas técnicas, sem medo do que possam achar. Podemos adicionar May nesta segunda lista.

No início do filme, somos apresentados a uma garotinha chamada May. Ela nasceu com um olho preguiçoso e foi condenada ao ostracismo pelas outras crianças por causa de sua deficiência. Sua única amiga é uma boneca, Suzie, que permanece dentro de uma caixa de vidro, sempre fora de alcance, sempre intocável. Avançando alguns anos, May (Angela Bettis) se torna uma moça tímida e solitária, sem noção alguma do que é amor e amizade. Ela é frequentemente seduzida por sua colega de trabalho Polly (Anna Faris), mas é por Adam (Jeremy Sisto) que realmente se apaixona. Adam é um jovem diretor de filmes de arte macabra, que não leva muito tempo para começar a achar May “estranha demais” para ele.
A trama toda do filme é bastante mórbida, mas as vezes soa como um conto de solidão e tristeza. Angela Bettis fez uma performance muito convincente, fazendo de May uma mulher extremamente estranha, desprovida de habilidades sociais. Boa parte do filme é trágicômico, cativando pelas situações que a protagonista passa. Horror, humor negro e drama estão presentes de maneira natural e sutil. Existem algumas referências ao horror de Dario Argento e outros clássicos, mas de forma leve e sem perder a originalidade.
Este é o primeiro longa do diretor Lucky McKee, que lançou este ano o polêmico filme do festival de Sundance A Mulher (The Woman, 2011), também com Angela Bettis. Com sua performance por May, o diretor participou do projeto Masters of Horrors, com Sick Girl em 2006.
Vale acrescentar que o desfecho de May é sensacional, daqueles que mudam o rumo em questão de segundos usando apenas um detalhe, deixando o espectador um pouco desorientado. May funciona como um bom filme de terror e também como uma espécie de estudo de um protagonista com disfunção social. Recomendado!
Especial – 6º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA FANTÁSTICO
Começou hoje o 6º Cinefantasy! Este ano o festival traz uma homenagem ao Ruggero Deodato, com direito a presença do diretor no evento. Pra quem não sabe, Deodato é o diretor do polêmico Cannibal Holocaust, um verdadeiro clássico do terror subersivo.
Eu sempre achei que ter um orçamento baixo não é desculpa para fazer um filme ruim e espero ver coisas boas no festival. A programação completa tem no site, mas pra facilitar a vida dos fãs do gênero, aqui vai a lista dos longas imperdíveis – do meu ponto de vista, claro.
A DAY OF VIOLENCE (Reino Unido, 2010, 91 min)

A Day Of Violence é um thriller criminal do diretor Darren Ward. A inspiração principal deste filme é o Giallo, gênero italiano que popularizou obras de diretores como Mario Bava, Lucio Fulci e Dario Argento, então podemos esperar muita sanguinolência.
Exibições:
Quinta, 23/11, 17h – Biblioteca Viriato Correia
Quinta, 01/12, 19h – Biblioteca Viriato Correia
A NOITE DO CHUPACABRAS (Brasil, 2011, 95 min)

Trash do diretor capixaba Rodrigo Aragão, que em 2008 levou alguns prêmios por Mangue Negro. Nem precisa dizer o quanto é importante prestigiar os nacionais, este é imperdível.
Exibições:
Sexta, 25/11, 21h30 – Cine Sesc
Domingo, 04/12 -20h – Centro Cultural São Paulo
HAROLD’S GOING STIFF (Grã-Bretanha, 2010, 75 min)

Ouvi dizer que este é um dos filmes de zumbis mais originais dos últimos tempos. É filmado em estilo mockumentary e não é precisamente um horror, vamos dizer que é uma comédia agridoce.
Exibições:
Sábado, 26/11, 20h – Centro Cultural São Paulo
Terça, 29/11, 21h30 – Cine Sesc
O BARÃO (Portugal, 2011, 103 min)
Baseado na obra do escritor português Branquinho da Fonseca, O Barão passou por vários festivais indies no mundo. O trailer mostra uma mistura de expressionismo alemão com cultura gótica, interessantíssimo.
Exibições:
Domingo, 27/11, 19h – Centro Cultural São Paulo
Sábado, 03/12, 19h – Biblioteca Viriato Correia
THE WHISPERER IN DARKNESS (EUA, 2010, 103 min)
Sem dúvidas The Whisperer in Darkness é a melhor adaptação de um conto de H.P, Lovecraft para o cinema. É impressionante como os realizadores conseguiram produzir algo tão bom com recursos limitados. Fica bem claro que a intenção foi homenagear filmes como Gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu, é cheio de imagens perturbadores e belas. Assistam esse, mesmo.
Exibições:
Sábado, 26/11, 19h30 – Cine Sesc
Segunda, 28/11 – 21h30 – Cine Sesc
PATIENT 17 (Inglaterra, 2011, 77 min)
A sinopse diz que é um thriller sobrenatural sobre 2 internos que descobrem um segredo de uma paciente trazida ao hospital, já é o suficiente para me despertar curiosidade.
Exibições:
Sexta, 25/11, 20h – Centro Cultural São Paulo
Domingo, 04/12, 19h – Biblioteca Viriato Correia
SUDOR FRÍO (Argentina, 2010, 90 min)

Sudor Frio é o primeiro filme de terror local que estreou na argentina em 60 anos e conquistou a quarta posição em bilheteria. Sinopse: Um jovem em busca de sua namorada desaparecida. Uma amiga incondicional disposta a tudo para descobrir a verdade. Uma investigação que culmina em uma casa antiga. Em seu interior os esperam dois brutais assassinos, armados com 25 caixas de explosivos que estiveram perdidos desde a última ditadura militar.
Exibições:
Sábado, 26/11, 21h30 – Cine Sesc
Sábado, 03/12, 20h – Centro Cultural São Paulo
Ao todo, a seleção tem cerca de 140 filmes (entre curtas e longas) e vai até dia 4 de dezembro.
6º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA FANTÁSTICO.
De 22/11 a 04/12.
Endereços:
Centro Cultural São Paulo - R. Vergueiro, 1000. Ingresso: R$ 1,00
Biblioteca Viriato Correia – R. Sena Madureira, 298. Entrada Gratuita.
CineSesc – R. Augusta, 2075. Ingresso: R$ 2,00 a R$ 8,00.
Programação completa: www.cinefantasy.com.br
Nº 37 – Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011)
Assisti Bridesmaids com expectativas bem modestas. Estava curiosa por ser o primeiro filme produzido por Judd Apatow com uma mulher como protagonista, mas depois que vi o trailer, desanimei. Mas só o trailer é sem graça, Bridesmaids é uma comédia cheia de vulgaridade – no melhor dos sentidos -, com diálogos francos e é muito melhor do que eu podia esperar.
A trama gira em torno de duas amigas de longa data que se encontram em direções radicalmente diferentes. Annie (Kristen Wiig) vê sua vida desmoronar cada vez mais e Lillian (Maya Rudolph) está noiva de um homem rico. Lillian pede a Annie que seja sua madrinha de casamento e embora honrada, Annie tem que enfrentar a influência do novo círculo social da amiga, incluindo Helen (Rose Byrne), uma mulher rica que faz de tudo para disputar a atenção da noiva.
Kristen Wiig é um gênio cômico. Ela co-escreveu o roteiro e fez de Annie uma personagem verdadeira, capaz de sustentar o filme inteiro, sem esforço. Wiig faz tão bem este papel que me fez querer encontrar uma maneira para ela sair de sua crise, passei o filme inteiro torcendo para ela conseguir corrigir o que está de errado na sua vida.
Isso me traz ao próximo ponto sobre Bridesmaids: o filme tem uma certa profundidade, o que me pegou totalmente de surpresa. Apesar das palhaçadas, o filme explora muito mais que isso. Reservou um tempo para desenvolver seus personagens, estabelecer as relações e conflitos resultantes entre eles. Não me lembro de ter visto uma comédia que tenha sido tão engraçada - eu chorei de rir, literalmente – e consistente ao mesmo tempo. O roteiro passa por problemas típicos como ciúme, insegurança, narcisismo e lida de forma muito realista. Além do mais, todo elenco é excelente. Melissa McCarthy (da série Mike and Molly) merece um destaque especial, não é por acaso que ganhou sua própria sitcom. No filme ela faz Megan, que parece ser o que Zach Gilifinakis foi em Se Beber, Não Case (The Hangover, 2009), é provavelmente a mais engraçada do grupo. Rose Byrne interpreta Helen, a rival de Annie. Só havia visto esta atriz em filmes como Sobrenatural (Insidious, 2011) e não imaginava que ela pudesse desempenhar tão bem um papel cômico. Ela fez Helen ser esnobe o suficiente para despertar a antipatia do público e insegura o suficiente para ganhar compaixão.
Bridesmaids foi elogiadíssimo pela crítica e chamado de Se Beber, Não Case para mulheres. Dá para entender o porquê, mas talvez seja ainda melhor pela honestidade. Encontrei mais pontos em comum com Superbad (de 2009, também produzido por Apatow), porque também é um filme sobre amizade, acima de tudo. Para vê-lo, você deve gostar de sátira. Se você é do tipo de pessoa que gosta de ver uma dessas comédias simples, é capaz de não ver graça alguma. O filme não tem uma trilha sonora dramática que diz em que parte é para rir, quem não conhece nada de sarcasmo vai acabar confuso e pode tirar outras conclusões.
Melhor comédia do ano, dúvido que apareça algo que supere! E Kristen Wiig, estou de olho em você.
Contabilizando – Parte III
Nº 34 – Triângulo do Medo (Triangle, 2009)
Assisti novamente, esse mereceu. Resenha aqui: http://wp.me/p1ScIv-3r
Nº 35 – O Guia do Mochileiro das Galaxias (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, 2005)
Sei que é cultuado por muitos e de todo o background que acompanha o filme. A idéia é muito boa: seres-humanos não são assim tão inteligentes para entender o universo ao seu redor. Não assisti a série que originou o filme, talvez esta saiba usar o humor crítico de forma positiva. Mas este filme foi até difícil de assistir, mesmo com o elenco de grandes do cinema como John Malkovich e Helen Mirren. Filme totalmente mal realizado, não aproveitaram em nada o ótimo texto que tinham em mãos. É como uma piada sem graça. Quando acaba você dá um sorriso amarelo de quem esperava rir e acabou sentindo vergonha alheia.
Nº 36 – Ponte para Terabítia (Bridge to Terabithia, 2007)
Vi este filme na TV e gostei. Um infanto-juvenil bem bonitinho, feito para emocionar mesmo. Se por acaso alguém de cerca de 11 anos está lendo isso, este vai para você.
Nº 33 – Teeth (Idem, 2007)
Se você sabe o porquê o filme se chama Teeth, já sabe que o tema é no mínimo original. A maior parte do público provavelmente assistirá Teeth em busca de um terror tipicamente B, mas o humor negro foi bem trabalhado e o filme acaba sendo fresco em relação ao terror atual.
Teeth introduz o conceito da Vagina Dentada. O significado é literal: uma arcada dentária no meio das pernas. A vagina dentata surgiu de lendas populares de cunho moral, avisando os homens do perigo de fazer sexo com mulheres desconhecidas. A jovem heroína de Teeth é Dawn (Jess Weixler, vencedora do Sundance de Melhor Atriz por este filme), uma garota virgem que prega sobre as vantagens de ser sexualmente pura. Dawn é o maior exemplo cristão de abstinência de sua escola, onde os garotos e garotas enfrentam todos os tipos de pressões para explorar corpos uns dos outros e deixar de ser virgem. Em casa, ela lida com o meio-irmão psicótico Brad (John Hensley), que passa seus dias transando com a namorada e nutrindo sentimentos incestuosos por Dawn.
As necessidades sexuais começam a ficar mais fortes quando Dawn começa a namorar Tobey (Hale Appleman). Uma coisa leva a outra e, eventualmente, Tobey força a barra. É neste ponto que o público masculino se contorce na cadeira, porque Dawn é dotada da lendária vagina dentada. Ela começa então a usar esta ‘habilidade’ física contra garotos que tentam entrar em suas calças sem autorização expressa.
Teeth é feito aos modos de Carrie, A Estranha (Carrie, 1976). Assim como Carrie, você simpatiza com a heroína, mesmo quando ela começa a usar a sua habilidade contra pessoas (quase) inocentes. Mas não pense que vai aprender mais sobre o tema principal, o filme não explora os limites da vagina dentada de Dawn ou como ela pode ter adquirido, embora existam algumas pistas. Por último, aviso que Teeth também tem muita carne exposta – masculino e feminino – e algumas sequencias que podem ser consideradas nojentas.
Este é o primeiro filme do escritor e diretor Mitchell Lichtenstein. Teeth é um remake de um filme japonês pouco conhecido, chamado Parasite Sexual: Pussy Killer, de 2004. Não é o melhor filme, nem o mais bizarro ou mais engraçado, mas tem seu charme. Se estiver com disposição para algo novo, pode ser uma boa surpresa.
Especial Trash Xuxa – Nº 30, 31 e 32.
Vocês devem ter ouvido falar do Xuxa-Palooza, exibido em um cineclube alternativo em Los Angeles. Não fui até lá, mas fiz algo parecido no conforto da minha casa. Na mostra de L.A., Xuxa foi chamada de atriz de soft-porn que se tornou uma apresentadora infantil e conquistou adultos por três décadas devido à sua alta tensão sexual. Alguém discorda?
Super Xuxa Contra Baixo Astral, 1988
Quem considera Zé do Caixão trash, deveria assistir este filme. Aqui, Xuxa é uma apresentadora de televisão que convoca crianças para colorirem muros pichados na cidade. Enquanto isso, Baixo Astral, um ser demoníaco que vive nos esgotos da cidade, decide se vingar de Xuxa seqüestrando seu cachorro, Xuxo, que é representado por um boneco que fala. Xuxa, então, sai em busca de Xuxo e vai parar em uma dimensão paralela, conhecida como Alto Astral. Parece bom, né? Agora vamos para algumas cenas emocionantes.
Alto Astral, ilumine o seu cristal… UOU UOU UOU UOU!
O curioso é que o filme é uma cópia descarada e barata de Labirinto (Labyrinth, 1986), com o David Bowie. É impossível não relacionar, fica claro que a idéia era fazer uma versão brasileira do filme. Parece difícil, mas o resultado foi um filme ainda mais trash. Mas o que mais incomoda no filme são as propagandas. A publicidade chega ao ridículo, em todos os cantos tem alguma veiculação patrocinada. Até no inferno tem uma máquina de coca-cola.
A canção de uma minhoquinha fálica sobre flexionar, estender e se dobrar
Lua de Cristal, 1990
Vamos falar de um campeão de bilheterias, um tremendo hit. Lua de Cristal é uma versão contemporânea de cinderela e tem uma boa dose de malícia e situações absurdas. Maria da Graça (aqui Xuxa tem seu nome real) sonha em ser cantora. Para ir atrás do sucesso, ela abandona a mãe em uma cidade de interior e vai morar na casa da tia. Até aqui, Mariah Carey e outras cantoras fizeram algo parecido, certo? O diferencial é que elas não tinham uma premonição e sonhavam com tudo que ia acontecer. Desde o início, a cena em que toda a turma da aula de canto (os paquitos e paquitas) e Bob (Sergio Mallandro) dançam e cantam numa floresta é mostrada várias vezes, desde quando ela era criança.
Maria faz amizade com Duda (Duda Little), deixando claro sua intimidade com os baixinhos. Mas por muitas vezes, a história é para os altinhos. Maria tem um primo, Mauricinho (Avellar Love), que passa o filme inteiro tentando convence-la a fazer sexo. A ecologia do filme fez jus ao título de ‘atriz de softporn’ que deram à Xuxa, com direito a um close da rainha dos baixinhos se lambuzando com uma fruta estranha no rosto. Ah, Xuxa também aparece nua tomando um banho de leite sob o luar, pura poesia.
Ecologia e sedução
Mas a melhor cena fica para o final, quando o grandioso Sergio Mallandro entra com sua lambreta em um túnel e, ao sair, está magicamente vestido de branco e montado em um cavalo. Uma das cenas mais trashs da história do cinema mundial, na minha opinião. Outra cena que ficará para a história é quando a tia Zuleica (Marilu Bueno) é socorrida de seu apartamento com um vaso sanitário grudado em seu derrière. Complicado.
Vamos com você! Nós somos invencíveis, pode crer!
Se o filme fosse lançado hoje em dia, com certeza seria alvo de muitas polêmicas, possívelmente censurado. Ainda bem que foi lançado em outra geração, não é? É mais engraçado que muita comédia atual, garanto.
Amor Estranho Amor, 1986
Este é um filme sério, dirigido por um grande diretor dos anos 80, Walter Hugo Khoury. Apesar do que se pensa por aí, se trata de um drama sobre a história política e moral de São Paulo. Vera Fischer se destaca muito mais do que a Xuxa, mas como Amor Estranho Amor se tornou o filme onde a Xuxa seduz um baixinho, aqui, vamos considerá-lo mais um trash da loira.
Aliás, Xuxa já aparece pelada no cartaz do filme que, obviamente, foi feito antes dela se tornar a poderosa apresentadora da Rede Globo. Sua personagem tem relações sexuais com um garoto de 12 anos de idade, interpretado pelo ator Marcelo Ribeiro – que atualmente é um ator pornográfico. Através de liminar judicial, Xuxa mandou recolher todas as fitas originais de locadoras e lojas do Brasil e Amor Estranho Amor tem sua comercialização e distribuição proibidas no país.
Deve fazer tempo que ela não assiste Lua De Cristal.
Trailer do Xuxa-Palooza.
Nº 29 – A Pele Que Habito (La Piel que Habito, 2011)
A Pele Que Habito é, como a maioria das obras do Almodóvar, um filme que não pode ser explicado em poucas frases. Assim como o trailer, faço questão de dizer muito pouco sobre a história – quanto menos você sabe antes de assistir, é melhor. Com isso em mente, eu vou fazer essa resenha curta para não dar nenhum fora.
Antonio Banderas interpreta um cientista que mantém a jovem Vera Cruz (a belíssima Elena Anaya) em sua casa, usando-a como uma cobaia humana para um novo tipo de pele humana sintética. Essa é a única informação clara que o espectador deve saber sobre a história.
As camadas se tornam mais complexas conforme o filme evolui. As cenas iniciais podem ser um pouco desconcertantes, mas que, no entanto, assumem um significado completamente novo quando a história faz uma pausa para nos levar de volta para o passado, a fim de nos dizer sobre uma importante série de eventos que aconteceram na época, com uma relação direta com os acontecimentos presentes. Esta luz sobre o que realmente aconteceu, muda completamente a nossa percepção da história, o que é uma experiência sensacional. Com um toque de suspense na trama, a história toma uma outra dimensão sob um novo olhar.
Gostaria de salientar que Almodóvar usa o horror como um canal para explorar a violação de qualquer código moral encarnada pelos personagens. O caráter de Vera Cruz parece a metáfora principal do filme, pois ela preserva sua personalidade interna intacta, independentemente do que acontece com seu corpo. A cenografia e fotografia, como sempre, é soberba. Mas apesar das imagens vibrantes, este não é um filme fácil de assistir.
É um filme que fica na memória. Imagino o conceito de pele: o que realmente nós queremos quando desejamos alguém, se todo o desejo é superficial, se a pele não nos permitem ver a pessoa por trás. E por outro lado, você é deixado com a reflexão sobre como certas atitudes só levam à autodestruição.
Quando uma obra nos deixa pensando sobre coisas tão profundas, só é possível concluir que é um grande filme. Recomendado!
Nº 28 – Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love., 2011)
Amor a Toda Prova é, obviamente, sobre relacionamentos. Vários. Aquele que consome a maior parte do filme é entre Cal (Steve Carrel) e Emily (Julianne Moore), casados por 25 anos e aparentemente exaustos da monotonia entre eles. Em busca de um consolo, Cal vai para um bar e conhece Jacob (Ryan Gosling), que parece ser uma espécie de fada madrinha da melhoria pessoal. Ele ajuda Cal a se vestir e se portar de outra forma. Mas Jacob é mulherengo e não demora muito pra se envolver com alguém que Cal desaprova.
A história é basicamente esta. É uma comédia romântica simples, mas que apela para uma faixa etária ampla: Steve Carrell e Julianne Moore para os mais velhos; Ryan Gosling e Emma Stone para o público mais jovem. No entanto, quem rouba a cena são os coadjuvantes, Marisa Tomei e Kevin Bacon, as cenas de ambos são as mais hilárias e dão cor ao filme.
O filme me lembrou um pouco Simplesmente Amor (Love Actually, 2003) e foi aí que me perdi. Não dá tempo suficiente para você realmente se importar com os personagens – e ainda assim, é longo. Não entendi o motivo para a preocupação de Jacob com Cal logo de início e o roteiro não se preocupa em explicar. Por outro lado, é melhor que a maioria das comédias românticas atuais. É agradável de assistir, para fãs do gênero, deve ser legal.


















